Auditoria operacional realizada nas estruturas estaduais e municipais de saúde, com foco na governança das estratégias de prevenção, cuidado e atenção às doenças do aparelho circulatório, em alinhamento ao ODS 3 — particularmente ao indicador 3.4.1, que monitora a mortalidade por doenças cardiovasculares e outras condições crônicas — e às metas do Plano Estadual de Saúde 2024–2027, que prevê a redução da taxa de óbitos para 254,3 por 100 mil habitantes até 2027.
Objetivos
Avaliar a atuação das secretarias estadual e municipais de saúde na implementação e no monitoramento das linhas de cuidado do Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), considerando processos, governança, qualificação das equipes, acesso à atenção especializada e disponibilidade de medicamentos no período de 2022 a 2024.
Metodologia Adotada
A auditoria iniciou-se com a fase de planejamento, que envolveu o requerimento de documentos e indicadores relacionados à atenção primária, morbidade e mortalidade por doenças crônicas, internações por causas sensíveis à atenção básica e avaliação de risco cardiovascular. Também foi solicitado acesso ao SISAB, às linhas de cuidado estaduais e às normas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Foram realizadas três reuniões técnicas com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e com a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória, com participação de áreas da Atenção Primária, Vigilância em Saúde, Rede de Urgência e Emergência, Regulação, Atenção Especializada e Rede de Doenças Crônicas. As discussões abordaram a organização das linhas de cuidado, processos de monitoramento, gestão da informação, pontos críticos e dificuldades na execução das políticas.
A equipe conduziu pesquisa bibliográfica abrangente, incluindo legislações, artigos científicos e manuais técnicos. Foi realizada também análise de benchmarking nacional e internacional para identificar boas práticas aplicáveis ao contexto local.
Com base nas informações coletadas, elaborou-se a matriz de planejamento contendo seis questões de auditoria relacionadas à governança, qualificação profissional, acesso à atenção especializada, realização de cirurgias eletivas e disponibilidade de medicamentos. A matriz foi validada com os gestores públicos em painel de referência.
Seis municípios foram selecionados para trabalho de campo — Vitória, João Neiva, Colatina, Ponto Belo, Cachoeiro de Itapemirim e São José do Calçado — com base em indicadores de internação, mortalidade e perfil populacional. Foram aplicadas técnicas integradas de coleta de dados, como entrevistas, inspeções físicas em unidades de saúde, revisão documental, análise de bases oficiais, cálculos e comparações estatísticas.
Tecnologia Empregada
Foram utilizadas técnicas de Auditoria Operacional conforme o Manual de Implantação das ISSAIs, com apoio de ferramentas de análise documental, sistemas de informação em saúde e métodos quantitativos de avaliação.
Principais Resultados
A auditoria resultou na emissão de 16 recomendações e 6 determinações destinadas ao aperfeiçoamento da governança, do monitoramento das linhas de cuidado e da qualificação dos serviços relacionados às doenças cardiovasculares.
Lições Aprendidas
A experiência demonstrou a importância de combinar diferentes técnicas de coleta e análise de dados para compreender a complexidade das redes de atenção às doenças crônicas. A integração entre inspeções físicas, entrevistas, pesquisas, análises estatísticas e revisão de sistemas de informação mostrou-se fundamental para avaliar a efetividade das políticas públicas e apoiar a tomada de decisão baseada em evidências.
Saiba mais
https://e-tcees.tcees.tc.br/DetalharProcesso/Index/1626192?pauta=False&ModuloSelecionado=Processo
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