Auditoria nos investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev/DF)

Auditoria operacional realizada no Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev/DF), com foco nos investimentos efetuados pela autarquia entre janeiro de 2021 e março de 2024.

Objetivos

Avaliar a governança, os controles internos e a eficiência dos processos de investimento do Iprev/DF, com foco em:

  • subsidiar recomendações que aprimorem a gestão dos recursos previdenciários.
  • verificar a conformidade dos procedimentos com a legislação aplicável aos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS);
  • examinar a estrutura decisória e a atuação dos órgãos colegiados responsáveis pelos investimentos;
  • identificar falhas que comprometam a segurança, a transparência e a rentabilidade das aplicações financeiras;

Metodologia Adotada

A auditoria utilizou análise documental, exame de processos administrativos, avaliação de conformidade legal e comparação com referências do Programa de Certificação Institucional Pró-Gestão RPPS. Foram analisados:

  • atas do Comitê de Investimentos e Análise de Riscos (CIAR);
  • processos de credenciamento de instituições financeiras;
  • políticas internas e documentos normativos;
  • registros de capacitação de servidores e gestores;
  • informações encaminhadas ao Ministério da Previdência Social.

Também foram realizadas entrevistas com gestores e análises comparativas com outros RPPS certificados em nível semelhante pelo Pró-Gestão.

Tecnologia Empregada

A auditoria utilizou ferramentas institucionais de gestão documental, sistemas de acompanhamento processual e bases de dados do RPPS para análise de registros, movimentações financeiras e evidências de governança. O estudo também considerou os parâmetros e sistemas disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social para acompanhamento da certificação no Pró-Gestão.

Principais Resultados

A auditoria identificou deficiências relevantes na governança e nos controles internos do Iprev/DF:

  • Ausência de instrumentos essenciais de governança, como Política de Alçadas e segregação adequada de funções.
  • Falta de clareza e tempestividade nas atas do CIAR, comprometendo a transparência do processo decisório.
  • Atuação insuficiente da Controladoria e do Conselho Fiscal (CONFIS), reduzindo a capacidade de supervisão e controle.
  • Participação de membros sem requisitos legais necessários, como certificação profissional ou formação específica prevista no art. 8º-B da Lei nº 9.717/1998.
  • Inconsistências em dados enviados ao Ministério da Previdência Social, indicando fragilidades na gestão de informações.
  • Capacitação inadequada dos servidores da Diretoria de Investimentos, que não concluíram o Plano de Capacitação e não atendem às exigências de certificação previstas no regimento interno.
  • Credenciamento restrito e esporádico de fundos, limitando a diversidade de alternativas de investimento e reduzindo o potencial de otimização da carteira.
  • Ausência de metodologia formal para decisões de investimento, resultando em operações sem análises técnicas, justificativas ou comparações entre ativos.
  • Atuação superficial do CIAR, sem avaliação estruturada de riscos, retornos, custos ou compatibilidade dos ativos com a política de investimentos.
  • Certificação Pró-Gestão em nível inferior ao esperado, especialmente considerando a estrutura e a capacidade operacional do Instituto. Comparações com municípios de menor porte revelam que processos essenciais — como mapeamento e formalização de fluxos — ainda não foram implementados adequadamente.

Essas falhas indicam riscos consideráveis à integridade do processo decisório e à adequada gestão dos recursos previdenciários.

Lições Aprendidas

  • A governança previdenciária exige instrumentos estruturados, controles formais e qualificação técnica permanente.
  • A certificação institucional (Pró-Gestão) deve refletir a maturidade dos processos internos; seu uso como referência permite identificar lacunas e orientar melhorias.
  • A atuação efetiva de comitês, conselhos e unidades de controle interno é indispensável para a transparência e segurança na gestão de recursos previdenciários.
  • Credenciamentos contínuos e metodologias formais de análise contribuem para ampliar alternativas, reduzir riscos e melhorar a performance dos investimentos.
  • O cumprimento de requisitos legais para nomeação de dirigentes e membros de órgãos colegiados é essencial para a tomada de decisão qualificada.

Saiba mais

https://www2.tc.df.gov.br/consultas-e-servicos/consultas/

https://drive.google.com/open?id=1J-xWzjCbW6-WA_1j61CTj5ADvuOZZTZk